• Edição 27
  • 30 novembro 1994
    • Redação Teoria e Debate

Pequenas insurreições - memórias

"Pequenas insurreições - memórias" foi o nome da exposição organizada pelas entidades promotoras do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em 1984, primeira vez em que foram apresentados 300 trabalhos realizados pelos presos políticos entre 1969 e 1979

"Pequenas insurreições - memórias" foi o nome da exposição organizada pelas entidades promotoras do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, em 1984, primeira vez  em que foram apresentados 300 trabalhos realizados pelos presos políticos em São Paulo, entre os anos de 1969-79, quando foi votada a Anistia que completava então cinco anos.

Agora que em agosto passado a Anistia completou 15 anos, T&D decidiu, tomando de empréstimo o mesmo título, publicar alguns trabalhos que participaram daquela exposição."Pequenas insurreições - memórias" foi o nome da exposição organizada pelas entidades promotoras do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, em 1984, primeira vez em que foram apresentados 300 trabalhos realizados pelos presos políticos em São Paulo, entre os anos de 1969-79, quando foi votada a Anistia que completava então cinco anos.

Agora que em agosto passado a Anistia completou 15 anos, T&D decidiu, tomando de empréstimo o mesmo título, publicar alguns trabalhos que participaram daquela exposição.

Nosso critério de seleção buscou contemplar o mais amplo universo. Mesclamos pessoas que já se dedicavam regular e/ou profissionalmente às artes plásticas antes de serem presas como Ferro, Lefèvre, Sister, Takaoka, com outros que o fizeram apenas durante o período de prisão, como Jorge Baptista, Zé Wilson ou Buzzoni (dados sobre os autores no rodapé das páginas 52 a 59). Outro critério foi o de contemplar o mais amplo espectro das organizações políticas de então, bem como as diversas linguagens utilizadas. Além de outras qualidades, esses trabalhos não foram realizados visando à "posteridade", diferentemente de alguns textos e cartas de empostação postiça que são publicados hoje como documentos.

Para termos um quadro do fazer em artes plásticas nos presídios, convidamos Sérgio Sister que dá depoimento a este respeito (pág. 52).

Mas, além do discurso (plástico) dos presos e da poesia da capa, trazemos também nesta seqüência, sob a rubrica de "Anistia", o depoimento de um outro sujeito desse processo, os organizadores dos Comitês Brasileiros pela Anistia, os CBAs. Quem dá conta disso é Hélio Bacha, um dos empenhados militantes e coordenadores do CBA-SP, além de Helena Greco na seção Memória.

Por fim, o artigo de Myrian Alves (pág. 58), trata do filme Vala Comum, de João Godoy, sobre a vala do Cemitério de Perus, em S. Paulo, que abrigava mais de mil ossadas de anônimos, entre os quais militantes de esquerda assassinados durante a ditadura.

Passados 15 anos, a Anistia continua um tema presente. Como presente continua o golpe militar. Não se pode pensar a insistência nessas memórias, como algo saudosista ou rançoso, principalmente se somos capazes de identificar a permanência de homens como Marco Maciel na Vice-presidência da República ou de ações como a do Exército nos morras cariocas.

Assim como não podemos entender república sem reforma agrária, é impossível imaginar uma democracia que lança seus alicerces sobre uma "anistia recíproca".

 

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