Pequenas mudanças? Só o tempo dirá

A 3ª sessão plenária do 18º Comitê Central do PC reiterou que o desenvolvimento é a chave para o país. Quando a China foca no crescimento do PIB, deve focar principalmente no emprego. Cada percentual de crescimento do PIB precisa corresponder ao incremento de pelo menos 1 milhão de postos de trabalho. Essa ainda é a equação básica. Também concluiu haver chegado o momento de estabelecer um mecanismo de emergência de segurança social para os trabalhadores

18º Congresso do PC da China reforma e reforça as funções do Estado

Foto: Carlos Barria/Reuters

O anúncio da 3ª sessão plenária do novo Comitê Central do PC da China suscitou expectativas de reformas liberais na economia e na política do país. Alguns círculos internacionais previram um “iminente colapso da economia chinesa”. Outros sustentaram que o ambiente global forçaria a China a mudanças radicais. A economia mundial afundara em turbulência, com taxas de crescimento irrisórias ou negativas nos países desenvolvidos e de 2% a 5% nos emergentes. Houve quem previsse um crescimento chinês de 3%, em 2013.

A China estaria diante de uma situação complexa. Teria de se contentar com taxas de crescimento abaixo de 8% e se envolver numa guerra comercial na qual cada país protegeria sua indústria e seu mercado de trabalho com medidas protecionistas, causando imensos prejuízos às exportações chinesas. Além disso, vários analistas teriam “descoberto” que a participação do emprego na manufatura chinesa estaria em declínio. Atingira o pico de 15% em meados dos anos 1990, permanecendo abaixo desse nível a partir de então.

Portanto, como se fosse uma novidade, afirmam que grande parte da força de trabalho na China ainda viveria em áreas rurais e a maioria dos trabalhadores migrantes se encontraria empregada no setor de serviços, não em fábricas. O que apontaria para uma “desindustrialização prematura” da China e, assim, para a emergência de crises idênticas às dos países desenvolvidos.

Situação atual da China

Informações do governo chinês apontam a existência de mais de 40 milhões de pessoas, principalmente aposentados, vivendo em povoados de baixos padrões de vida. A renda média per capita de cerca de 70 milhões de habitantes rurais e urbanos continua muito baixa: na casa dos US$ 6 mil, mas em algumas áreas litorâneas é superior a US$ 10 mil, e no oeste é de US$ 3 mil.

A industrialização e a urbanização fizeram emergir conflitos, opondo camponeses a construtoras e governos locais, em torno da propriedade do solo. E ampliaram para cerca de 260 milhões o número de migrantes. Alguns são temporários, mas a maioria tem emprego de longa duração, dando surgimento a lutas por pleno acesso a saúde, educação e moradia e demais direitos de cidadania, nas cidades ou vilas para onde migraram.

A elevação geral da renda (em 2013 o salário mínimo subiu 18%, quase três vezes mais que a taxa de crescimento do PIB) pressionou os serviços de saúde, educação, transportes urbanos e interurbanos, além de afetar a competitividade dos produtos de exportação. Nessas condições, embora tenha dado um salto em seu transporte ferroviário, sua rede se estendendo por mais de 100 mil quilômetros, a China terá de dar um salto ainda maior. Para atender plenamente as regiões central e oeste, sua rede ferroviária terá de chegar, pelo menos, a 250 mil quilômetros.

Creative Commons

Creative Commons
Revista Teoria e Debate. Alguns direitos reservados.