Concórdia do Pará faz da educação ambiental uma bandeira

Política pública de educação ambiental criada a partir das propostas discutidas na cidade de Concórdia do Pará, o projeto Bandeira Verde mobiliza e apaixona, tanto comunidade como gestores. São medidas práticas e educativas para sensibilizar e envolver a população na resolução dos sérios problemas ambientais urbanos e na área rural, de tratamento do lixo ao combate do desmatamento

Projeto une preservação ambiental e educação

Projeto une preservação ambiental e educação

Foto: Arquivo Bandeira Verde

Fazer da educação ambiental uma bandeira é um desafio e tanto para a gestão petista coordenada pelo prefeito de Concórdia do Pará, Elias Santiago, eleito em 2008. Ancorado em uma série de debates feitos nos sindicatos e organizações sociais sobre a necessidade de efetivar ações de meio ambiente, assim que venceu as eleições Elias pôs em funcionamento o Planejamento Participativo Municipal (PPM), do qual emergiu a reivindicação de medidas práticas e educativas para sensibilizar e envolver a população nos sérios problemas ambientais urbanos e na área rural: tratamento do lixo e combate ao desmatamento.

Ali, no coração reivindicatório do PPM, estava a sementinha do Bandeira Verde, um programa de educação ambiental na forma de concurso, abrangendo todas as escolas do município. A cada dois anos, premia em dinheiro os melhores projetos de práticas ecologicamente saudáveis que priorizem a utilização dos recursos naturais disponíveis de forma sustentável, solidária e eticamente correta. A ideia inicial era, a partir da sala de aula, sensibilizar a comunidade e alertá-la para a necessidade de combater o desmatamento e ter cuidado com os rios, mananciais, matas ciliares, fontes e o tratamento adequado do lixo.

“Se fosse apenas um projeto educativo, o Bandeira Verde já seria gigante. Mas é mais que isso. A partir da escola, ensina a comunidade a cuidar das nossas ruas, dos nossos rios, das nossas matas, recuperar as nascentes, conhecer e cuidar do lixo produzido. Sou apaixonada pelo Bandeira Verde”, conta com entusiasmo a professora Ivânia Sousa Nogueira, coordenadora pedagógica da Escola Guadalupe, uma das instituições de ensino premiadas nos dois certames do projeto.

Antonio Carlos Galo, diretor da escola Cristo Libertador, premiada por recuperar a nascente de um importante igarapé, reforça: “O projeto pegou fogo, envolveu toda a cidade, o polo rural e hoje, com apenas dois concursos, já faz parte da vida da comunidade e é muito esperado pela população”.

A formatação do Bandeira Verde é simples: cada escola escolhe um tema e tem seis meses para desenvolvê-lo. Depois, tem um prazo de 20 minutos para a defesa do seu trabalho diante de uma banca de jurados. E, para evitar contaminá-lo com pressões eleitorais, a premiação não coincide com ano eleitoral. Assim, a primeira ocorreu em 2009 e a segunda, em 2011. A próxima será em 2013.

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