Feiras livres: onde todo mundo ganha

Funcionando desde março deste ano, com produtos da agricultura familiar, as feiras já conseguiram, em pouco tempo, resgatar a antiga tradição do município, que havia desaparecido há quase vinte anos

A iniciativa do Departamento de Agricultura de trazer de volta a Feira Livre da Agricultura Familiar agradou gregos e troianos (e espartanos, no caso a prefeitura), já que as duas pontas, produtor e consumidor, estão satisfeitas, vendendo e comprando verduras, frutas e legumes frescos, com qualidade superior e a preço justo.

Valdemar Pratavieira, agricultor familiar há seis meses, produz milho e verduras e fornece 2 mil quilos por semana para a merenda. Diz que a ideia da feira foi muito boa: “Sempre existiu, agora o pessoal está voltando. Melhorou bem sem atravessador, a gente vende direto, e os consumidores gostam”.

A professora Maida Flores ratifica: “A feira está muito boa, as verduras são frescas. Eu venho toda terça-feira, e o pessoal da redondeza está gostando bastante. Para os agricultores também é bom, eles atendem muito bem.

Funcionando desde março deste ano, com produtos da agricultura familiar, as feiras já conseguiram, em pouco tempo, resgatar a antiga tradição do município, que havia desaparecido há quase vinte anos. Existe o Varejão da Grécia, da prefeitura, que aos domingos reúne várias barracas de produtos diversos, também de hortifrútis, mas não faz parte do Programa da Agricultura Familiar.

As feiras livres acontecem pela manhã, quatro vezes por semana: terça-feira na Praça da XV, quinta na Vila Nery, sexta na Praça do Kartódromo e aos sábados é itinerante, em bairros menores, com menos barracas – cerca de 15, normalmente. A que mais comercializa é a Feira da Lua, por ser à noite, até as 22h. Como é ao lado da USP, atrai muitos estudantes, principalmente para a barraca do pastel, que vende 950 por noite.

Aline Scheneviz, dona de uma barraca, conta como começou: “Os pequenos agricultores da região estavam precisando de um lugar para escoar a mercadoria. A prefeitura compra, mas mesmo assim estava sobrando na roça. Aí os produtores, junto com o pessoal da secretaria, resolveram montar a feira. Pra gente foi muito bom”.

Também para Aparecido Cesar Alves de Oliveira, produtor há quatro anos, melhorou muito. “Está ótimo, vantajoso para nós. Faço entrega para o PAA há dois anos: acelga, cenoura, alface, beterraba, maracujá e agora mamão; estamos entrando nas frutas também, inovando. Tem de melhorar em tudo, para servir melhor a comunidade”.

Risco calculado
E, hoje, esses agricultores familiares podem dizer que são também microempresários. Estão se valorizando, cuidam da sua barraca, gostam de se apresentar bem, uniformizados, aprenderam a comercializar, a atender o público. “Mudou a vida desse pessoal. O Adriano Scheneviz tem uma produção de laranja. A Cutrale pagava R$ 0,25 o quilo da laranja na roça dele. A prefeitura paga em torno de R$ 0,80, três vezes mais. Então ele já está com adubo diferente, irrigação, aumentou a produção dele significativamente”, finaliza João Vitor.

E Adriano, agricultor familiar há vinte anos, também presidente da Associação dos Agricultores Familiares de São Carlos, criada em novembro de 2011, confirma a história: “Já forneço para a prefeitura desde 2009. Para a merenda, a R$ 0,86 o quilo, e para o PAA, a R$ 0,76. São 2 mil quilos de laranja e limão, e uns trezentos quilos de berinjela e pimenta por semana. Agora comecei a fornecer para restaurantes. A feira está sendo, sem dúvida, um grande apoio, aumentando muito nossa renda.

Conseguimos passar um produto de qualidade, que aguenta mais tempo, para os consumidores, a um preço bom para todos”.

Jussara Lopes é jornalista.

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