A terceira vitória

Em 2010, Dilma vence as eleições com 55,7 milhões de votos (56,05%) e Serra tem 43,7 milhões (43,95%). A derrota da oposição fora, inegavelmente, mais uma vez, a derrota da mídia millenarista. Não se acredita em qualquer mudança de posição da mídia hegemônica por conta dessa derrota: ela seguirá combatendo o projeto político iniciado em 2003. Já arregaçou as mangas, e tenta, de todos os modos, desconstruir o cenário de favoritismo de reeleição da presidenta
 

A mídia hegemônica tentou barrar a vitória de Dilma em 2010, mas foi novamente d

A mídia hegemônica tentou barrar a vitória de Dilma em 2010, mas foi novamente derrotada

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Seguramente, a mídia hegemônica fica à beira de um ataque de nervos a partir de pesquisa de opinião divulgada na edição da Folha de S.Paulo do dia 21 de agosto de 2010. Dilma abria 17 pontos de vantagem sobre José Serra. Com tal resultado, a candidata podia ganhar no primeiro turno. Raiva, desapontamento, ranger de dentes. Como é que um poste inventado por Lula ultrapassava tão largamente o candidato tão mais bem preparado, tão mais experiente, que, na visão anterior dela, mídia, quase não havia cometido erros?

Nesse momento, a mídia distribui bordoadas sobre a condução da campanha de Serra, dizendo dos graves erros cometidos, agora descobertos. Claro, a mídia dizia, era possível um milagre, uma reviravolta, e ela quase prometia a Serra e seus coordenadores de campanha: quanto a nós, não se preocupe; faremos de tudo e um pouco mais para propiciar o milagre, tudo ao nosso alcance continuará a ser feito e com maior intensidade ainda para prejudicar a candidata Dilma.

Acrescentava-se: lembrem-se do que dizíamos na reunião de março do Millenium: “Eles não podem passar, não podem continuar”.

Se era possível, e era, a partir daí a atividade político-partidária da mídia devia crescer de intensidade. E cresce o tom contra Dilma. E acentuam-se os temas considerados negativos para ela. Praticamente são excluídas do noticiário, dos comentários, do que seja, em todos os níveis, da mídia hegemônica contrária à candidatura de Dilma, menções negativas a Serra. Havia um demônio à vista: o poste de Lula. Tudo haveria de ser feito para operar o milagre de ao menos levar a campanha para o segundo turno. O cenário de uma vitória de Dilma no primeiro turno tinha de ser revertido.

Logo depois de 21 de agosto outro escândalo construído: o caso do dossiê com dados sigilosos da Receita Federal de pessoas vinculadas ao candidato José Serra, encomendado por petistas, de acordo com o tucano. Nesse momento, já surgia outra pesquisa, Dilma 20 pontos à frente. Começava, com o dossiê, outra campanha jornalística. A Folha de S.Paulo, de modo especial, debruçou-se diligentemente sobre o caso, construindo suítes durante dezesseis dias contínuos e por outros tantos, intercalados, até o segundo turno. Se assuntos negativos fossem escassos para a candidata Dilma, necessário apostar a maior parte das fichas no dossiê, naquele momento.

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