2002: Lula derrota a velha mídia

Apesar de simular neutralidade, como mostramos no artigo anterior, depois de ajudar a eliminar Roseana Sarney e afastar Ciro Gomes, o partido midiático coloca toda a sua artilharia contra o inimigo principal, Lula, até porque sua possibilidade de vitória era real, e esse risco a mídia não queria correr. Mas Lula, no segundo turno, no dia 27 de outubro, obteve mais de 61% dos votos válidos, contra pouco mais de 38% para Serra

Em 1º de janeiro de 2003: Lula toma posse

Para além do tambor da velha mídia, principiava o Brasil da Silva

A operação política das eleições presidenciais de 2002 teve ingredientes brutais. Quando despontou a estrela de Roseana Sarney em evidente ascensão, parecia que a direita havia encontrado o nome ideal. A chamada Operação Lunus, de março de daquele ano, com a exibição de uma montanha de dinheiro, mais de R$ 1 milhão, jogou por terra qualquer pretensão do clã maranhense. Nela ficaram mais que evidentes as digitais de FHC e Serra, e Sarney foi muito duro na crítica ao método adotado. Era necessário tirá-la do caminho de modo a facilitar a vida da candidatura Serra. Quem quiser consulte a mídia da época para perceber como as edições carregaram nas tintas, seguindo um roteiro que serviu como uma luva ao candidato oficial.

Sarney chegou a falar na necessidade de observadores internacionais fiscalizarem as eleições brasileiras face à truculência utilizada contra sua filha, e aqui nem cabe a análise do mérito. Como diz Leandro Fortes, em texto publicado no site da revista CartaCapital, em 17 de agosto de 2010, tratando especificamente da Operação Lunus, Serra havia montado uma verdadeira máquina de moer inimigos, comandada pelo delegado da Polícia Federal Marcelo Itagiba.

Do ponto de vista da Polícia Federal, foi só desgaste: o STF arquivou o processo contra Roseana Sarney por falta de provas. O objetivo político, no entanto, foi alcançado e com a sincera e aplicada ajuda da mídia hegemônica, que nunca negou sua colaboração a Serra. A Polícia Federal, sem que a mídia demonstrasse isso, salvo sempre as exceções, a mais notável delas, então, CartaCapital, era usada escandalosamente a favor dos interesses do governo e, nas eleições de 2002, da candidatura Serra.
 

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