A hora da Copa

Nos encontros com os movimentos populares e entidades nas doze cidades-sede do Mundial, ficou claro que grande parte dos argumentos contra o evento está baseada em meias verdades e informações distorcidas. É preciso reconhecer, no entanto, que o nosso governo não fez o debate adequadamente com a sociedade

Se ao chegar aqui o turista deparar com uma manifestação,

Se ao chegar aqui o turista deparar com uma manifestação, ele vai ter de entender que a democracia brasileira é assim

Foto: Marcelo Camargo/ABr

Quando, em 2007, o Brasil conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo, numa disputa com vários países, comemoramos com orgulho e satisfação. Era mais um acontecimento simbólico daquele momento, em que o presidente Lula demonstrava que o Brasil pode ser um país vencedor. Ele brigou muito para poder realizá-la aqui, assim como a Olimpíada, porque tinha consciência de que esses eventos significariam grandes oportunidades ao nosso país. Para imaginar as possibilidades que a Copa nos traz, basta pensar que é o maior evento de mídia do planeta. Em 2010, sua partida final foi vista por 3,2 bilhões de pessoas, 40% da população mundial.

Entretanto, foi jogada sobre a Copa uma responsabilidade muito além do que ela representa como torneio de futebol – e sua realização acabou se transformando no centro de uma disputa política. Nos últimos dois meses, estive nas doze cidades-sede do Mundial para debater com os movimentos populares e entidades da sociedade civil seus significados para o Brasil. Fizemos aquilo que chamo de escuta interessada, ouvindo os problemas e os protestos apresentados, mas mostrando também as informações reais sobre a preparação do torneio e os ganhos que ele já trouxe para o nosso país. Ficou claro, nesses encontros, que grande parte dos argumentos contrários à Copa está baseada em informações distorcidas e meias verdades.

Por outro lado, é preciso reconhecer que nosso governo não fez adequadamente o debate com a sociedade sobre a Copa do Mundo. Essa autocrítica é importante para compreender por que perdemos a batalha da comunicação em torno do evento e possibilitamos que nossos adversários construíssem uma falsa imagem de que foi contaminado pela corrupção, com a construção de “elefantes brancos”, com a submissão do país à Fifa e com grandes prejuízos para o nosso povo.

Mas o sentimento negativo que se espalhou por muitos lugares ainda pode ser revertido por meio do diálogo transparente e da desconstrução das distorções divulgadas em grande escala por boa parte da mídia. Mesmo porque esse sentimento não desfaz os benefícios reais que a Copa já trouxe e vai trazer ao Brasil. São ganhos que se dão em diversos campos da vida econômica, social e cultural do país. O Brasil tem hoje uma das menores taxas de desemprego do planeta, enquanto a Europa se vê diante de um grave processo de ampliação do desemprego e da pobreza. A preparação para o torneio gerou centenas de milhares de novos postos de trabalho, principalmente nas áreas da construção civil e do turismo. Pesquisa da Fundação de Estudos e Pesquisas Econômicas da USP constatou que a Copa das Confederações gerou 303 mil empregos e prevê que a Copa do Mundo vai gerar três vezes mais, acrescentando R$ 30 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2014.

O evento já está abrindo um campo enorme para o crescimento do nosso turismo e vai deixar um importante legado para as cidades-sede, com os estádios multiuso e as obras de infraestrutura e mobilidade, além dos empregos e do intercâmbio cultural, entre tantos outros aspectos. De 2010 a 2016, vão ser inaugurados no Brasil cerca de 400 empreendimentos de hotelaria.

Muito se fala sobre o atraso e o custo das obras. Entretanto, há muita distorção nessa questão. Todas as obras necessárias para a Copa estão prontas. Temos doze belíssimos estádios cujo custo está alinhado aos padrões internacionais, no mesmo patamar das arenas construídas para as Copas da África e da Alemanha. E eles não ficarão subutilizados, pois são multiuso. Além do futebol, vão receber grandes shows e eventos. Aliás, isso já está acontecendo em Fortaleza e em Brasília. O novo Mané Garrincha, em um ano de funcionamento, recebeu mais público do que o antigo durante seus 36 anos de existência na capital federal.

Além dos estádios, as principais intervenções necessárias para a Copa ocorreram nos aeroportos, com reformas e ampliações que já tornaram a maioria deles equipamentos de excelente qualidade. Novas obras ainda serão realizadas, dentro de um plano de ampliação de longo prazo de nossa estrutura aeroviária. De todo modo, o que já foi feito é mais que suficiente para o evento.

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