A Petrobras e a vergonha que nos ronda

A CPI com suposta defesa da “principal empresa do país” tem como objetivo oculto demonstrar que a melhor forma de gerir uma empresa é transformá-la em propriedade privada. O PT não deve temê-la, deve mostrar que, ao contrário do que proclama a oposição demotucana, a Petrobras nunca esteve tão bem e sua estratégia a colocou entre as maiores do mundo. Isso é condição para defender a empresa e garantir a reeleição de Dilma 

Pasadena é um bode colocado na sala para encobrir os verdadeiros objetivos da ofensiva contra a Petrobras

Foto: Petrobras

Nos anos 1990, o governo demotucano e seus aliados no Congresso causaram uma brutal devastação no parque industrial privado brasileiro e entregaram, por preço de liquidação, empresas estatais para grandes corporações privadas nacionais e internacionais. A Petrobras estava sendo “preparada”, no “limite da irresponsabilidade”, para ser privatizada. 
 
Naquela ocasião, a plataforma P-36 afundara, causando um prejuízo superior a US$ 2 bilhões, sem que nenhum parlamentar demotucano se mexesse para promover uma investigação a respeito. E a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), de valor superior a US$ 2 bilhões, fora trocada por ativos da Repsol argentina, de valor inferior a US$ 200 milhões. Os investimentos da estatal petrolífera brasileira estavam contingenciados a um teto de US$ 5 bilhões anuais. 
 
A derrota do PSDB et caterva nas eleições de 2002 salvou a Petrobras, os principais bancos públicos e as estatais de geração elétrica da devastação e da liquidação privatista promovida pelo demotucanato. Foram os governos capitaneados pelo PT que salvaram do desmanche esses instrumentos estatais fundamentais para a orientação da política econômica. 
 
Ildo Sauer, que se tornou crítico contumaz do PT depois de perder o cargo de diretor na Petrobras, reconhece que a empresa valia, em 2003, US$ 15 bilhões. No entanto, “com uma nova visão estratégica”, implantada de lá pra cá, passou a valer “mais de US$ 250 bilhões”, no final de 2007. Ou seja, como “resultado dessa estratégia”, a estatal brasileira de petróleo priorizou “a pesquisa e exploração no país e no exterior”, promoveu “o uso do gás natural como substituto local do petróleo” e “o desenvolvimento de fontes renováveis” e descobriu “o pré-sal”. Ingressou, assim, numa “trajetória de valorização superior à das demais petrolíferas, no mesmo ambiente de preços”. A renda da Petrobras, “minúscula até 2005, aproximou-se dos US$ 70 bilhões anuais”.
 
Os investimentos anuais da Petrobras dobraram em 2005, ultrapassando US$ 10 bilhões. E, na atualidade, seus planos preveem um investimento médio anual de US$ 45 bilhões até 2018, somando mais de US$ 200 bilhões nos próximos cinco anos. Pode-se então perguntar: como uma cambada de tucanos e associados, que trabalhou com afinco, até 2002, para a privatização e o afundamento da Petrobras, se transformou, de uma hora para outra, em defensora da estatal? E por que esses demotucanos tomam essa suposta defesa como pretexto para instalar uma CPI que vire a empresa de cabeça para baixo?
 
Para Sauer, corretamente, as “disputas que envolvem a Petrobras” estão “vinculadas ao papel da apropriação social da natureza, particularmente da energia”. Recursos como o petróleo permitiram incrementar “a produtividade do trabalho” e “gerar excedente econômico”, passando a ocupar “espaço central nas relações geopolíticas e nos conflitos”. A “disputa pelo acesso e controle dos recursos” e “do excedente” constituiria o “foco” de guerras e conflitos como os ocorridos no Irã, Iraque, Líbia etc.
 
Para comprovar essa tese correta, Sauer afirma que “hoje os custos diretos de produção” de um barril de petróleo, isto é, “capital e trabalho, sem transferências, impostos, taxas, situam-se entre US$ 1 (Arábia Saudita) e US$ 15 (pré-sal no Brasil e xisto... nos Estados Unidos)”. Desse modo, os preços acima de US$ 100 por barril permitiriam uma renda de US$ 2,5 trilhões a US$ 3 trilhões para as empresas petrolíferas, considerando-se “uma produção bruta mundial de US$ 80 trilhões”. 
Continua

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