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Números da eleição de 2008, comparados com os de eleições anteriores, fornece elementos para a ação do partido para o próximo período

A apresentação dos números da eleição municipal de 2008, comparados com os de eleições anteriores, fornece ao conjunto dos petistas elementos para reflexão sobre a ação do partido para o próximo período, particularmente nas eleições 2010

Foto: César Ogata

O PT manteve nas eleições municipais de 2008 sua trajetória de crescimento, que vem desde a fundação do partido. Elegemos 559 prefeitos e prefeitas, crescendo 36% em relação aos eleitos em 2004, em todas as regiões brasileiras e em todas as faixas de municípios (pequenos, médios e grandes). Vamos governar em nível municipal para quase 20 milhões de eleitores. Participamos, como vice em alianças com outros partidos, de outras 426 vitórias, 37% mais do que nas eleições municipais passadas. Elegemos 4.171 vereadores e vereadoras, 13% a mais do que em 2004. No segundo turno, fomos o partido mais votado, com 5,1 milhões de votos recebidos. Disputamos o segundo turno em quinze municípios e vencemos em oito. Entre as cidades com mais de 150 mil eleitores, governávamos 25 e passamos a 31, crescimento de 24%. Obtivemos também a maior taxa de reeleição entre os partidos: 56% dos prefeitos e prefeitas do PT reelegeram-se ou fizeram o sucessor. Nossa votação em números absolutos, entretanto, só cresceu 1%, tanto na eleição majoritária quanto na proporcional. Considerando que o eleitorado aumentou em torno de 4%, vimos nossos percentuais de votos válidos sofrer uma ligeira redução, de 17,2% para 16,6%, na eleição para prefeito, e de 10,7% para 10,3%, na eleição para vereador. O PT conseguiu então aumentar consideravelmente seu número de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores mantendo praticamente a mesma votação de 2004. O que explica esse fenômeno é que nossas candidaturas foram mais competitivas em 2008. Lançamos menos candidatos, mas estes obtiveram melhores votações que no passado. Apoiamos mais candidatos de outros partidos e fomos mais apoiados. Neste artigo apresentamos uma análise detalhada dos números desta eleição, visando agregar elementos para futuras análises qualitativas pelo conjunto do PT, que possam apontar alternativas para fortalecer ainda mais o partido para o próximo período, particularmente nas eleições 2010. Os números aqui citados são os oficiais do TSE, mas podem sofrer alterações à medida que forem julgados os recursos impetrados na Justiça Eleitoral. PT cresce 36% em relação a 2004. O PT ganhou 559 prefeituras em 2008, uma evolução de 36% em relação à eleição de 2004. Em número de prefeitos, está passando da sexta posição em 2004 para a terceira em 2008, superando o DEM e o PTB. O PMDB é o partido que elege maior número – 1.202. Depois de sofrer uma redução em 2004, praticamente retoma sua marca de 2000. O PSDB segue em queda constante, mas mantém a segunda colocação, com 786 prefeitos. O PP se estabiliza. O DEM continua sua redução em forte ritmo. O PCdoB volta a crescer substancialmente (310%), embora seu número absoluto ainda seja baixo. O PSB também avança forte, com crescimento de 77%. O PPS é o partido que mais perde prefeituras proporcionalmente (-58%), seguido do DEM e do PSDB (ver tabela 1). PT cresce mais na Região Nordeste. A expansão do PT se deu em todas as regiões, mas no Nordeste foi o grande diferencial: o partido na região mais que dobrou (103%). A Região Sul cresceu 33%, a Centro-Oeste 28%, a Sudeste 21% – e a Norte foi a que menos cresceu: 8% (ver tabela 2). Acre tem o maior percentual de prefeitos petistas eleitos. Os novos 559 prefeitos petistas representam 10% do total de prefeitos brasileiros. O estado do Acre é o que tem o maior percentual de prefeitos em relação ao total do estado: 54,5%. Pará e Amapá completam a lista dos três estados com maior percentual de prefeitos petistas. Os estados com menor percentual são Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba. Os estados com maior número absoluto de prefeitos petistas são Minas Gerais, com 109 prefeitos; Bahia, com 67; e São Paulo, com 64. Os estados que mais evoluíram em relação a 2004 foram Bahia (219%), Mato Grosso e Piauí (157%). Os estados que perderam prefeitos foram Alagoas, Roraima, Rondônia, Mato Grosso do Sul e Tocantins. PT mantém total de votos para prefeito. Obtivemos 16,5 milhões de votos, que correspondem a um percentual de 16,6% dos votos válidos em todo o país. Em 2004, o partido teve 16,3 milhões, o que representou 17,2% dos votos válidos. Portanto, houve uma ligeira redução no percentual. O PMDB teve um crescimento de quase 30% em relação a 2004, atingiu 18,4 milhões de votos e passou a ocupar a primeira posição, que foi nossa em 2004. O PSDB, com seus 14,5 milhões de votos, perdeu 8% de seus votos, caindo da segunda para a terceira posição. Note-se que em 2008 o PT não lançou candidatos em Belo Horizonte (1,7 milhão de eleitores), Goiânia (840 mil), Campinas (724 mil), São Luís (640 mil), Duque de Caxias (570 mil), João Pessoa (440 mil), Cuiabá (370 mil), Aracaju (360 mil), São João de Meriti (340 mil) e Campos (320 mil), só para citar os municípios com mais de 300 mil eleitores. E o PMDB cresceu nos grandes municípios principalmente com a adesão de lideranças de outros partidos, tais como Eduardo Paes (PSDB/RJ), João Henrique (PDT/BA), José Fogaça (PPS/RS) e Dario Berger (PSDB/SC). Entre os treze maiores partidos, os que mais cresceram foram PV, PCdoB, PMDB e PSB. Os que mais perderam votos foram PPS, DEM e PR. Entre os maiores partidos, PT tem maior percentual de reeleição. Nestas eleições conseguimos reeleger 232 das 411 prefeituras que havíamos conquistado em 2004. Isso representa um índice de reeleição partidária de 56%, que é a melhor marca entre os grandes partidos brasileiros. O PSB reelegeu 45% de seus prefeitos, ficando na segunda posição, e o PMDB ficou na terceira posição, com 44% de seus prefeitos reeleitos. O PPS foi o partido que menos reelegeu: somente 12% das prefeituras que administrava continuaram sob seu comando. PT amplia em 13% o número de vereadores eleitos. O PT elegeu 4.171 vereadores, representando um aumento de 13% em relação a 2004. Considerando os treze maiores partidos brasileiros, somente PCdoB, PV e PSB evoluíram mais que o PT. O partido que mais perdeu vereadores foi o DEM, com 25% de redução. PPS, PSDB, PR, PTB e PP também reduziram suas bancadas. O PMDB continua sendo o partido com maior número de vereadores, seguido pelo PSDB e pelo PP (ver tabela 4). Os 4.171 vereadores eleitos pelo PT estão espalhados em 2.634 municípios (47% do território brasileiro), o que representa também uma evolução de 12% na distribuição geográfica em relação a 2004, quando elegemos vereadores em 2.345 municípios. PT praticamente mantém seu total de votos para vereador. Nossa votação para vereador aumentou 1% e chegou a 10,5 milhões. Como houve um aumento de 4,8% no total de votos válidos, nossa votação percentual caiu de 10,7% em 2004 para 10,3% em 2008. Não houve alteração nas três primeiras colocações. O PMDB cresceu 8%, obtendo 11,9 milhões de votos e mantendo-se na liderança de votos para vereador. O PSDB somou 10,7 milhões de votos, perdendo 2% de seus votos, mas permanecendo na segunda colocação. O PT manteve-se na terceira posição. PT continua a ter o maior percentual de votos de legenda. A porcentagem de votos para vereador destinados às legendas, depois de cair de 2000 para 2004, retomou ao patamar de 2000. O PT cresceu 30% e atingiu 2,1 milhões de votos de legenda, equivalentes a 18,5% do total desses votos, e continua em primeiro lugar. O segundo colocado é o PSDB, com 1,6 milhão de votos (14,6%), e o terceiro é o PMDB, com 1,4 milhão (12,7%). Melhora desempenho dos candidatos petistas a prefeito. Em 2000 lançamos 1.316 candidatos a prefeito em todo o país, abrangendo 24% do total dos municípios brasileiros. Em 2004 houve um grande crescimento, e lançamos 1.951 candidaturas próprias, ou 35% do total de municípios. Já em 2008, lançamos 1.630 candidaturas próprias, abrangendo 29% do total de municípios. Tivemos, portanto, uma redução de 16% em relação ao pleito de 2004, enquanto o número total de candidaturas a prefeito reduziu-se em 3%. Essa redução deveu-se provavelmente a três fatores: o grande crescimento experimentado em 2004, em função da proximidade da vitória de Lula em 2002; o maior esforço na ampliação das coligações em 2008, buscando manter o quadro de apoio ao governo federal; e, ainda, o custo crescente das campanhas majoritárias, que dificulta o lançamento de candidaturas com menor competitividade. Entretanto, mesmo lançando menos candidatos, mantivemos nossa votação absoluta e elegemos mais prefeitos, em todas as faixas de municípios (por tamanho) e em todas as regiões do país. Isso se explica pela maior competitividade de nossas candidaturas. De fato, 58% de nossos candidatos ultrapassaram a barreira dos 30% de votos válidos. Na eleição de 2004, somente 41% deles atingiram esse patamar, e em 2000 somente 29%. Na ponta inversa, o percentual de candidatos que não conseguem atingir 5% dos votos válidos vem baixando, de 31% em 2000 para 22% em 2004, e para 15% em 2008. Nas faixas dos candidatos que atingem de 5% a 30% dos votos válidos também houve redução, embora em menor proporção (ver tabela 5). Por outro lado, aumentamos em 8% o número de apoios a candidatos a prefeito de outros partidos e vimos crescer em 40% o número de apoios que nossos candidatos receberam. O isolamento de nossos candidatos diminuiu consideravelmente. Em 2004, 738 candidatos do PT (38% do total de 1.951 candidatos) concorreram sem apoio de nenhum outro partido. Em 2008, o percentual de isolamento diminuiu para 22%, já que somente 365 dos nossos 1.630 candidatos estiveram nessa condição. Outro elemento significativo foi a redução de “chapas-puras” (prefeito e vice do PT). Em 2004 lançamos 1.137 “chapas puras” (58%). Em 2008 este número reduziu-se para 632 (39%). Isso significa que estamos obtendo maior adesão às nossas propostas. PT apóia mais candidaturas de outros partidos. Também ajuda a explicar o estacionamento do PT no patamar de 16,5 milhões de votos para prefeito a maior abertura para apoiar candidatos de outros partidos. Vejamos o exemplo das capitais dos estados, onde análises superficiais tendem a apontar uma derrota do partido. Realmente, o PT obteve 1 milhão de votos a menos nas capitais em relação a 2004. Entretanto, uma análise detalhada mostra que deixamos de lançar candidatos em João Pessoa (PB), São Luís (MA), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Aracajú (SE) e Belo Horizonte (MG). Nestas seis capitais obtivemos 1,3 milhão de votos em 2004. GTE 2008 foi coordenado por Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT