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Projeto Vila do Mar se consolida como um dos mais importantes investimentos do PAC no país

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Após décadas de pobreza, descaso governamental, degradação ambiental e violência, Projeto Vila do Mar se consolida como um dos mais emblemáticos investimentos do PAC no país, por meio da urbanização e requalificação de 5,5 quilômetros do litoral oeste da capital cearense

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No Ceará, uma história de luta que conquistou vista para o mar e dignidade para

No Ceará, uma história de luta que conquistou vista para o mar e dignidade para a população. Foto: Thiago Gaspar

Numa das mais belas faixas litorâneas de Fortaleza (CE), encoberta por mais de cinco décadas de pobreza, descaso governamental, degradação ambiental e violência, vem se consolidando um dos mais emblemáticos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no país. O Projeto Vila do Mar, como foi batizado pela gestão da prefeita Luizianne Lins, com dimensões ambiental, social e econômica, reafirma a capacidade do modo petista de governar de inverter prioridades, por meio da urbanização e requalificação de 5,5 quilômetros do litoral oeste da capital cearense.

As obras de urbanização abrangem as praias da Barra do Ceará, Cristo Redentor e Pirambu, bairros que formam o Grande Pirambu. Aprovado em 2005 no Orçamento Participativo (OP), o projeto prevê investimentos de R$ 184,2 milhões, provenientes do PAC, do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social e de uma parceria com o governo do estado. “Esse é um projeto grandioso, ousado e caro. Na verdade, estão sendo investidos R$ 101 milhões do governo federal (PAC e FNHIS), R$ 27,7 milhões de uma parceria com o governo do estado do Ceará e R$ 55,5 milhões de contrapartida da Prefeitura de Fortaleza. Já estamos com todos os recursos garantidos e assegurados”, detalha Luizianne.

A ação era esperada havia mais de cinquenta anos pelos moradores do Pirambu. “Era um grande trecho da nossa orla que estava invisível aos olhos do poder público. O que estamos fazendo com o Vila do Mar demonstra a opção do nosso governo de priorizar a população mais pobre e em situação de risco”, diz a prefeita. Há mais de setenta anos no Pirambu, o morador e conselheiro do projeto José Maria Tabosa afirma: “Antes, olhávamos o mar de costas, hoje podemos olhar de frente”.

O projeto vem sendo discutido com a comunidade desde o princípio. “Quando assumimos, em 2005, fizemos uma escuta da comunidade – donas de casas, jovens, pescadores, trabalhadores em geral – e preparamos um projeto que atendesse às necessidades reais daquela população, que lutava por moradia digna e qualidade de vida”, diz Luizianne. “Por isso, a metodologia e a concepção de intervenção utilizadas no Vila do Mar privilegiam o espaço para habitação popular, e não para especulação imobiliária. Além das casas, proporcionamos aos moradores infraestrutura urbana, opções de lazer e espaços de convivência.”.

A fase de planejamento e captação de recursos foi iniciada em 2006 e a previsão é de que o projeto seja concluído até o final de 2012. O projeto tem o acompanhamento de um conselho gestor, constituído por técnicos da prefeitura e representantes de diversos segmentos organizados dos bairros envolvidos. “O Conselho Gestor é formado por 25 representantes, doze governo e treze da comunidade. Em reuniões sistemáticas, a coordenação do projeto e o Comitê Gestor sugerem ajustes e implementam novas propostas de ação para atacar problemas históricos como segurança pública, desemprego e falta de qualificação profissional”, acrescenta Rocicleide Silva, coordenadora da ação de governo.

Maria Gesimar Brito de Oliveira, uma das primeiras moradoras da praia do Pirambu, destaca a característica humanizada do projeto. “Antes eles (governos) vinham, ofereciam o que queriam e jogavam as pessoas para longe. Muita gente acabou morrendo de tristeza. Hoje é diferente, esse projeto foi construído com o povo, o governo Lula, do estado e de Fortaleza. Foi a melhor coisa que aconteceu. É um projeto que está beneficiando todo mundo. A praia hoje é linda.”

De lixão e desova de corpos à rota turística

Antes, região era um grande lixão à beira mar

No território, segundo Rocicleide, não havia até 2008 beira de praia. A faixa litorânea era utilizada para jogar lixo e para a desova de até oito corpos por fim de semana.

As intervenções na infraestrutura de 3 dos 5,5 quilômetros de área propiciaram uma nova praia que vem ganhando espaço na rota turística da cidade e elevando a autoestima de quem vive no Grande Pirambu. Já foram entregues avenida em paralelepípedo, calçadão em pedra cariri, praça de convivência, quadra esportiva, mirante, iluminação pública, a reforma de quatro espigões e um quinto já está em construção.
Na opinião de Tabosa, o cenário do Pirambu começou a mudar a partir de 1958, quando os moradores, apoiados pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e pela Igreja Católica, passaram a se organizar. Mas o salto de qualidade só ocorreu no governo petista. Nascido e criado na região, como faz questão de frisar, o sapateiro aposentado, que participou da marcha de 1962 para impedir a expulsão dos moradores, liderou greves e ficou preso durante a ditadura militar, resgata em seu livro Vivências, Luta e Memórias: Histórias de Vida de Lideranças Comunitárias em Fortaleza um passado de muita pobreza e desprezo pelos governos.

“De 1958 até aqui nunca havíamos tido um olhar para nós. Com a administração de Luizianne tivemos o OP, que nos fez conhecer o que é orçamento federal, estadual e municipal, para onde se destinam as verbas. E foi nele que aprendemos a conseguir um projeto coletivo, que nos beneficiará com educação, cultura, esporte, emprego e renda. O OP foi a maior vitória, e por isso nós aprovamos o Vila do Mar e a regularização fundiária. Uma das maiores conquistas, porque, quem detém conhecimento, detém poder”, avalia.