Nesses finais de ano, início do seguinte, somos tentados a alguma espécie de balanço da vida no Brasil e no mundo. Empreitada, modo geral, destinada ao fracasso, por impossível, atropelados a cada segundo pelos acontecimentos. Ainda assim, fracassada seja, necessária. No esforço, capturamos um ou outro aspecto da realidade a nos cercar. Corremos riscos variados.
Um deles, a referência ao passado como um lugar melhor – em geral, tal nostalgia é um equívoco. Outro, falar de um mundo em crise gravíssima, como se crises não fossem constitutivas da história, mais ainda, do capitalismo. Também, prenunciar um novo tempo, como se ele estivesse ali, na esquina, a nos aguardar.
Não está. Depende de forças sociais, de movimentações políticas, da luta de classes, e o resultado de tal luta nunca é visto antes de a batalha se dar. Escrevo sob o sentimento da indignação. E o faço certamente povoado de dúvidas, a melhor maneira de buscar as respostas, e aqui não as tereis, não tenho receitas. Nesse breve esforço, em meio a escombros, escolho um ou outro aspecto do que chamamos conjuntura.
Massacres
Mundo, vasto mundo povoado de guerras e massacres. Promovidos sobretudo por um império em decadência, os Estados Unidos. Guerra da Ucrânia, provocada pelo cerco da Otan à Rússia, guerra terceirizada à Europa, parece, e apenas parece, à beira de um acordo face à derrota da Otan.
Genocídio de Gaza, vivendo ainda o desenlace de um acordo imposto pelos Estados Unidos depois da tentativa de limpeza étnica, um dos mais tristes e sangrentos e covardes episódios desse século 21, massacre cujo início está localizado a rigor no final dos anos 1940, quando o ataque aos palestinos começou, inclusive com atos terroristas.
Oriente Médio sob disputa, presença feroz do império capitalista. A indignação vai crescendo, junto com as dúvidas. Massacres na África, continente devastado pelos países capitalistas centrais desde que o capitalismo é capitalismo.
América Latina. Destaque para a impressionante incursão militar dos Estados Unidos, olhos postos na maior reserva de petróleo do mundo, presença de impressionante aparato nas costas venezuelanas, fechamento do espaço aéreo daquele país, a indicar possíveis ações terroristas de comandos norte-americanos.
Quem sabe, com apoio de aviões e bombas, uma declaração de guerra, naturalizada no mundo atual, e sem possibilidade de a ONU intervir, porque enfraquecida, isso sem contar o assassinato seguido de homens navegando em minúsculos barcos ou atos de pirataria contra navios de petróleo, sem que nada aconteça, como se fosse direito líquido e certo do império.
Mundo desregulado. Estranhos tempos. Aos revolucionários, aos democratas não resta qualquer dúvida: total solidariedade à Venezuela. Estava a meio caminho desse texto, e na madrugada do dia 3 desse novo ano, os Estados Unidos sequestraram Maduro, numa agressão estúpida, a desrespeitar quaisquer normas internacionais e colocar a América Latina em estado de permanente atenção.
Aos democratas, à esquerda, aos progressistas, cabe condenar tal agressão sem qualquer dúvida ou vacilação, inclusive cobrar direitos do presidente Maduro e de sua mulher. Respeito à soberania dos povos. Ao direito de cada país de dispor do próprio destino. Lula manifestou-se energicamente a respeito, condenando o ato de pirataria imperial.
Trump simula querer a paz, ao impor acordo em Gaza e tentar outro na Ucrânia, e rapidamente desloca atenções para a América Latina, onde as forças da extrema direita e da direita têm ganhado terreno, seja por movimentação política de tais forças, seja por erros graves da esquerda. Como ocorreu na Bolívia recentemente, como pode ocorrer na Colômbia, afora a derrota anunciada no Chile, com a ampliação das forças de extrema direita no continente sul-americano.
Extrema direita
A derrota na terra de Allende tem muita força simbólica, vitória das forças conservadoras, de índole neofascista. A vida no continente latino-americano não está nada fácil para as forças progressistas e de esquerda, e volto: as derrotas nem sempre ocorrem apenas por méritos dos adversários. Advém dos nossos erros, também.
Por duas décadas, as forças progressistas e de esquerda ocuparam território e agora, a acompanhar tendência do crescimento das forças de extrema direita no Ocidente, desenha-se um cenário pouco animador, percebido por Trump, a par da cobiça em torno do petróleo. América Latina, em disputa.
Tais forças conquistaram a Argentina, agora o Chile e Honduras, antes a Bolívia, antes o Peru, antes o Equador, e aqui falamos apenas da América do Sul. Uruguai, Colômbia e Brasil mantém governos de esquerda, e sempre há de se considerar a dimensão política e territorial do Brasil para se avaliar o peso da esquerda no continente, mas não convém subestimar o crescimento da extrema direita.
Não esquecer Cuba, vivendo enormes dificuldades decorrentes do criminoso bloqueio norte-americano, um marco de resistência. México, primeiro com Manuel López Obrador, agora com Claudia Sheinbaum, a também dar lições de enfrentamento aos Estados Unidos. Triste assistir ao destino do Haiti, entregue a uma situação desesperadora, sem divisar uma saída democrática.
E, preocupante, o fato de se espalhar a solução Nayib Bukele, de El Salvador, para o enfrentamento do crime organizado, ou desorganizado, modelo de nítida inspiração neofacista, a tentar transformar cada país num grande e terrível presídio.
A movimentação do império norte-americano, traz a reboque os países-satélites. A Europa faz hoje triste figura nessa atitude de colocar-se de joelho diante dos Estados Unidos, cujos passos desencontrados constituem uma óbvia reação ao avanço da China, lado a lado com o chamado Sul Global, com a Rússia, Índia, Brasil, o mundo dos BRICs, a apontar para nova hegemonia mundial, a caminho do desmoronamento da imposição do dólar.
Placas tectônicas se movimentam, a levar os Estados Unidos a tentar sobreviver, ao tempo em que sepulta, ao menos momentaneamente, qualquer ilusão democrática interna. Todas as denúncias de Trump sobre acontecimentos, verdadeiros ou não, em países denominados autoritários por ele, se revelam reais em escala ampliada nos próprios Estados Unidos, hoje quase uma ditadura. Creio haver cabeças liberais atordoadas, acostumadas a tomar os Estados Unidos como modelo democrático. Tal modelo acabou, e tem tempo.
Capitalismo, fome
Mundo, mundo vasto mundo sob o massacre da fome. Números não tão confiáveis, diria até subestimadores, dão conta, no ano de 2025, de 673 milhões de pessoas passando fome, uma estupidez se considerarmos, ingenuamente, a montanha de dinheiro existente no mundo.
Uma ínfima parte dessa fortuna resolveria o problema. Disse ingenuamente porque ao capitalismo, à acumulação de capital, pouco importa a fome, especialmente em tempo de hegemonia da nova razão do mundo, o neoliberalismo.
Fome? Dano colateral, diriam os homens de negócio. O dinheiro mata todos os deuses do homem, diria Marx, e mata também milhões de pessoas pela fome, ao se recusar a qualquer movimento destinado a distribuir renda e riqueza. É o capitalismo, estúpido!, diria, parafraseando James Carville, o assessor de Clinton.
Algum conforto, quando falamos do Brasil. Vencemos as eleições, derrotamos o bolsonarismo, enfrentamos o golpe de 8 de Janeiro vitoriosamente, e pela primeira vez generais na prisão, junto com o ex-presidente em decorrência de terem dirigido a tentativa de uma intentona golpista, onde se incluía o assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Morais, donde viria certamente um banho de sangue. Verdade: a chamada dosimetria desfigura as vitórias conquistadas até agora.
Governo Lula conseguiu reconstruir políticas públicas de modo inclusive a garantir a saída do Brasil do Mapa da Fome, experimentar o menor desemprego da história, celebrar alguma distribuição de renda, dar estabilidade econômica ao país, e resultados positivos até, se quiserem, pelos padrões liberais, dólar em baixa, bolsas em alta.
Brasil, exemplo
Não fosse tudo isso, o Brasil torna-se um exemplo para o mundo, inclusive para os Estados Unidos. O mais prestigiado jornal norte-americano, o The New York Times, em 12 de setembro de 2025 afirmou ter o país dado exemplo onde os Estados Unidos fracassaram ao comentar a condenação de Jair Bolsonaro pela intentona golpista. Isso foi dito em artigo assinado pelo professor de Harvard, Steven Levitsky, e por outro professor, Felipe Campante.
Os autores afirmam ser o Brasil atualmente uma democracia mais saudável que a norte-americana, não obstante as falhas porventura existentes. O país, consciente do passado autoritário, não deu a democracia por garantida. Os Estados Unidos, diferentemente, fracassaram na tarefa, afirmam. O STF, dizem os dois professores, fez o que o Senado estadunidense e os tribunais federais “tragicamente falharam em fazer: levar à Justiça um ex-presidente que atacou a democracia”.
Mas, o Brasil não se tornou exemplo para o mundo apenas pela condenação de Bolsonaro e dos generais golpistas. Tornou-se, também, pelo presidente Lula, a mais poderosa voz do mundo na luta contra as imposições tarifárias de Trump.
Não aceitou render-se, reafirmou a condição de país soberano, defendeu a autodeterminação dos povos, não aceitou a chantagem em relação aos golpistas, manteve-se ao lado do Judiciário, cujo procedimento deu-se em cima da Constituição, garantindo a todos os réus o mais absoluto direito de defesa.
A firmeza de Lula levou Trump ao recuo, evidenciando ao mundo o quanto é importante uma política firme na defesa da soberania.
Lula não aceitou o complexo de vira-latas nacional, manifestado por vários jornalistas e pelo governador de São Paulo, a pretender uma rendição. Evidenciou o quanto estava certo quando Trump resolveu fazer o primeiro recuo, e não foi um recuo qualquer.
Lula, a par disso, como protagonista essencial na cena mundial, não recuou das posições em relação à Gaza, combate à fome, solidariedade permanente com o Sul Global, e permaneceu na luta pela preservação do meio ambiente, lutas a encontrar os Estados Unidos do outro lado da trincheira.
Devagar com o andor. Nada disso pode nos colocar numa zona de conforto. O Brasil, e lembro de uma fala de Mujica, tem o privilégio de contar com Lula. A capacidade dele, o tino político, a experiência administrativa, também, tudo isso tem permitido a continuidade dele no poder e a realização de um governo surpreendentemente positivo, capaz de beneficiar o povo brasileiro, garantindo os compromissos de vida dele.
Quando digo surpreendentemente positivo, por conta do cerco. Não é fácil a situação. Governar com um Congresso como o atual, não é para qualquer um. É dirigir o país sob permanente chantagem, e não há outro nome para definir esse quadro. A todo instante, o Legislativo pretende usurpar poderes do Executivo. Pelo gigantismo das emendas, do orçamento secreto, a subtrair direitos consagrados de políticas públicas. Ou pretender ser dele a prerrogativa de indicar ministros do STF.
Golpe continuado
Pelas ações do Congresso, da maioria parlamentar da extrema direita, segue-se uma política de golpe continuado, sequência de tentativas golpistas, afrontando a democracia de modo cada vez mais ousado, o modelo político brasileiro se convertendo num autêntico Frankenstein: um presidencialismo mitigado, um parlamentarismo, insista-se, regido pelo escândalo do sequestro do orçamento público, emendas milionárias e clandestinas, e nessa política regida por tais esquemas ninguém tem se salvado.
Ulysses Guimarães tinha razão quando profetizava um Congresso cada vez pior. Não há, infelizmente, espírito público na maioria da casa legislativa, e não há, nela, vergonha de, por interesses mesquinhos, encostar a faca na garganta do Presidente, como aconteceu desde o primeiro dia da posse de Lula, em 2023. Só houve recuo quando a população foi para as ruas em protesto à PEC da Bandidagem.
Não creio, e lamento dizer isso, em renovação do Congresso. O volume de dinheiro nas mãos dos parlamentares atuais assegura a manutenção dos mandatos. E essa prática, também lamento afirmar isso, rebaixa um bocado o próprio campo da esquerda, cuja movimentação nunca foi de oposição à política de emendas tal e qual ela foi se pondo, e isso implicará em pouquíssima renovação. Disse, no início: iria levantar dúvidas, e o faço.
Há uma nova situação na luta de classes no país. O movimento sindical, em notórias dificuldades. Porque a chamada classe operária não é mais a mesma. Culpa de ninguém. Mudanças estruturais profundas no mundo da força de trabalho, o neoliberalismo impondo a precarização profunda, e muita gente acreditando na ilusão do empreendedorismo, como se cada um deles, com bicicleta e sandália de dedo, fosse um empresário. Houve um trabalho cuidadoso destinado a convencer a classe trabalhadora a abominar a CLT, equivocadamente.
E há um evidente distanciamento dos partidos de esquerda da classe trabalhadora, do chamado trabalho de base, algo tão essencial e tão necessário, nesse cenário onde se avolumou a presença das igrejas evangélicas, grandes e pequenas, a ganhar corações e mentes da população.
Os pastores, e aqui a fala não é de condenação pura e simples, encontraram o caminho das pedras. Tanto aqueles em busca do poder e da riqueza pura e simples, aproveitadores da fé, quanto tantos outros, de igrejas sérias, a pretender apenas difundir o Evangelho e ajudar o povo.
Lamentar, não basta. Amaldiçoar, nem podemos, porque muitos de nós, ateus, como eu. Compreender o fenômeno, dialogar com ele, e sobretudo reinventar caminhos para voltar ao meio da classe trabalhadora de modo a dialogar com ela, disputar hegemonia, conquistar corações e mentes, reconquistar.
Para brincar: um pouco de trotsquismo não faz mal a ninguém. A revolução é permanente. Não podemos esquecer disso. Governar não garante poder – pode nos dar um mandato, e o seguinte escapar-nos das mãos. Em 2018, escapou.
E o mais importante: é necessário fazer trabalho político, conscientizar o nosso povo, lutar de modo permanente para, no diálogo, ganhar a população para a democracia, aquela capaz de garantir mudanças profundas na vida da população, enfrentar a desigualdade.
Talvez o fenômeno das redes sociais, tal o impacto, tenha levado os partidos de esquerda a acreditar apenas se movimentar por elas e, além de tudo, nunca tais partidos o fizeram de modo eficiente. As igrejas não desprezaram o contato direto, a pregação diária, nas cerimônias ou fora delas.
Lembrar: um bom governo, e pode ser muito bom, não necessariamente ganha a cabeça das pessoas. Fundamental, trabalho político-cultural, sem o qual as consciências podem caminhar em direção oposta, e nós já experimentamos isso, ainda experimentamos.
Partido da imprensa golpista
Ao final do ano de 2025, início desse 2026, lembro do ex-deputado Fernando Ferro, com quem convivi na Câmara Federal. Foi ele a cunhar a expressão Partido da Imprensa Golpista (PIG). No ocaso deste ano, o PIG voltou a todo vapor, com o inegável espírito lavajatista, do qual nunca se afastou. Novamente, à base de fake news, de fontes anônimas, inventadas, Folha, Globo, Estadão, Rede Globo, investem com toda ferocidade contra a democracia, solidários com as forças de extrema direita, assustados, na verdade, com a hipótese de nova vitória de Lula. Até contra reajuste do salário mínimo se manifestam. Miram em Alexandre Moraes. Querem mesmo é acertar Lula.
Por tudo, nossa tarefa central: eleger Lula. Eleger governadores, reeleger aqueles já no poder. Dar tudo de nós para a conquista de bancadas legislativas fortes, deputados e senadores, o que não será fácil, batalha essencial.
Não esquecer o trabalho político de fundo, insisto, a conquista de corações e mentes. Imaginar as coisas a longo prazo. Se ficarmos presos ao pragmatismo rasteiro, teremos voo curto, e estamos assistindo ao crescimento das forças de extrema direita, a nos desafiar.
Talvez devêssemos escutar a voz vigorosa de Lênin nos alertando para o cretinismo parlamentar, e combinar nosso esforço no legislativo com a atuação direta, no meio do povo.
Ou a voz de um José Dirceu, a nos conclamar a uma revolução social, nos limites da democracia, capaz de aproveitar toda nossa potencialidade, superar nossa abissal desigualdade, distribuir renda e riqueza, construir uma sociedade fraterna e solidária.
Progresso e barbárie
Nossa casa, mãe terra. Não tem exagero: estamos próximos de uma situação limite, momento da impossibilidade de o ser humano viver nessa casa. O negacionismo trumpista complica muito, dificulta encontrar caminhos para recuperar o tempo perdido.
Tem tempo, lá pelos anos 1920, 1930 do século passado, e Walter Benjamin já dizia da relação entre progresso e barbárie, tragicamente atual.
Creio instigante, e necessária, a releitura, nova leitura da nona tese do ensaio de Benjamin “Sobre o conceito de história”. Pode parecer assustadora a tese, e é. Pode parecer profética, e é. Pode parecer atual, e é.
Marxista heterodoxo, Benjamin fala de um quadro de Paul Klee, Angelus Novus. Um anjo parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente, olhos escancarados, boca dilatada, asas abertas. Benjamin, na tese, afirma: o anjo da história deve ter esse aspecto.
O rosto do anjo, dirigido para o passado. Nós podemos ver uma cadeia de acontecimentos. O anjo vê uma catástrofe única, a acumular incansavelmente ruína sobre ruína, toda ela dispersada a nossos pés.
O anjo até gostaria de acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas, não dá. Uma tempestade sopra do paraíso “prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las”. Final da tese, trágica e profética, insista-se:
_ Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.
A tempestade seguiu em frente. O anjo nada pôde fazer. O amontoado de ruínas cerca a todos, vai crescendo. Providências urgentes se fazem necessárias. Seremos capazes de adotá-las?
O capital resiste, não está nem aí para os escombros.
Quem vai parar esse trem suicida?, para recuperar pergunta de Michael Löwy.
Rosa Luxemburgo: socialismo ou barbárie.
Ter alguma esperança, fundamental.
Mas não esquecer da possibilidade de as ruínas nos sufocarem, e inviabilizarem nossa presença na casa chamada terra. O anjo nos avisou. Chegando ao limite. Socialismo ou barbárie.
Emiliano José é jornalista e escritor, autor de Lamarca: O Capitão da Guerrilha com Oldack de Miranda, Carlos Marighella: O Inimigo Número Um da Ditadura Militar, Waldir Pires – Biografia (v. I), entre outros