Especial

A ilustração de Luiz Paulo Baravelli escolhida para a capa da edição 25 de Teoria e Debate tem muito do clima da nossa convivência na revista

Ilustração de Luiz Paulo Baravelli, reproduzida em capa da Teoria e Debate. Reprodução

A relação de Alipio Freire com a Teoria e Debate foi de muitos anos. Integrou o Conselho de Redação da revista praticamente desde o início em 1988 até 1992, quando se afastou por divergir política e editorialmente sobre a publicação de uma entrevista. Naquele tempo tudo era muito debatido, pauta, editoriais, capas... Em 1993 assume a editoria e retorna ao conselho no qual permanece até 2005. Como editor da revista, Alipio imprimiu na publicação a importância que dava à memória e ao conhecimento da história para a interpretação do presente e construção do futuro. Na editoria Memória, que trazia a trajetória de militantes de esquerda e era sempre a mais lida, essa foi a fase das mulheres, inaugurada com a entrevista de Idealina Fernandes Gorender. Por ocasião dos 30 anos do golpe publicamos o ensaio fotográfico “1964 Nunca Mais”. Para conferir mais sobre esse período consulte as edições de 22 a 30, disponíveis neste site. Todos os adjetivos que eu poderia mencionar para retratar o Alipio foram lembrados nos artigos que acompanham esta homenagem, delicado, solidário, bem humorado, implacável... Tudo isso se manifestava no nosso cotidiano na revista. Primeiro para trabalhar com o Alipio não se podia ter pressa, segundo era preciso mudar de fuso horário. Ele chegava por volta da hora do almoço, passávamos a tarde tratando da pauta, entre uma história e outra. Meu caro editor era um contador de histórias, algumas muito divertidas e outras nem tanto. Se fosse período de fechamento (muitos dias), nos encontrávamos no estúdio da editora de arte, a Silvana Panzoldo, ao lado de quem Alipio sentava de frente para o computador e ali “bordava” a edição. Claro que tudo intercalado com boas histórias. E de lá sempre saímos de madrugada. As capas da Teoria e Debate, quando impressa, sempre foram muito bem cuidadas. Quando editor, Alipio era quem escolhia o artista, claro! No número 25, fomos ao ateliê de Luiz Paulo Baravelli convidá-lo para ser o capista da edição. O pintor, desenhista, escultor, professor e cronista, nos guiou por sua exposição particular e se comprometeu a levar alguns trabalhos para o nosso fechamento. Foi uma experiência e tanto, um privilégio. A ilustração escolhida para a capa está na abertura deste texto e tem muito do clima da nossa convivência na revista nesse período, que se prolongou até meados do último abril. Rose Spina é editora de Teoria e Debate